Curso I - Aula IV - Perspectiva de 2 pontos:



Parte Teórica
Por que se usa dois pontos de fuga? O que significa?
Bom, dois pontos de fuga é muito usado para cenários de médio tamanho, como uma rua por exemplo. Antes, em apenas um ponto, somente as linhas de uma unica direção convergiam para o ponto de fuga, agora as linhas de duas direções (geralmente direita e esquerda) convergem para dois pontos em especifico. Essa perspectiva é a mais observada por nós, pois é dela que deriva a famosa linha do horizonte (reta que une esses dois pontos), seria ali o lugar mais distante que nossa visão poderia ver, observamos isso quando olhamos para um lugar bem amplo. É com essa técnica que tornamos nosso desenho mais realista, com perspectiva e proporção entre os objetos da cena.
É fácil utilizar essa técnica?
É relativamente fácil, porém cansativa, pois quando se usa essa técnica basta um pedaço do desenho fora dela que é facilmente notado, seu erro fica mais evidente; além de complicar mais o andamento do desenho, pois agora você deve cuidar de dois pontos de fuga, saber para onde cada linha estaria apontando e direciona-la para seu respectivo ponto.
Observe a imagem abaixo, nela você entenderá como é feita a analise do cenário de um desenho que use essa técnica. Assim você terá uma visão melhor dos recursos que essa técnica lhe fornece para se usar nos seus desenhos e poder entender melhor a aula prática que se segue.


 Parte Prática
Agora é a melhor parte, para explicar a aplicação dessa técnica desenharei uma esquina de um lugar abandonado. Com bastante sombra e textura essa esquina sombria será o cenário dessa nossa aula. 

Passo I - Escolhendo o ponto de Fuga: 
De inicio, assim como na aula anterior, escolheremos onde estarão os pontos de fuga. Observe que como os ponto representam a convergência das linhas de nosso desenho, quanto mais distantes estiver uma da outra mais área você terá para desenhar. Ou quanto menor for sua escala de desenho mais desenho consequentemente caberá entre eles. Evite tentar fazer coisas grandes entre os pontos, pois você pode deixar seu desenho deformado, uma vez que a distancia entre os pontos de nossa visão é grande o suficiente para manter a proporção real entre cada objeto, com o mínimo de deformação; e assim deverá ser seu desenho, não deixe pouco espaço entre os pontos (se não dará o efeito de olho mágico, algo gordo no centro, mas bruscamente menor nas laterais), mas também não os distancie tanto, pois assim o efeito da perspectiva será pouco notável. E lembre-se: a linha que os une (observe a imagem) é a linha do horizonte. 
Passo II - Esboçando o cenário:
Agora deve ser feito o cenário principal, os contornos e os traços fundamentais. O esboço é normal, você pode aprender mais na aula I desse curso. Só atente-se para alguns pontos: primeiro, toda linha que se direciona para a direita deverá convergir para o ponto de fuga da direita e de forma análoga  as linhas que se direcionam para a esquerda devem convergir para o ponto de fuga da esquerda; as linhas verticais devem se manter verticais, pois só convergirão para um outro ponto na técnica de três pontos de fuga, mas isso é só na próxima aula. Observe que nesse passo desenhamos todo o cenário em forma de paralelepípedo, pois é mais fácil de se aplicar aos pontos, mas "e se eu quiser desenhar um cilindro?". Respondendo: basta fazer um sólido como foi feito na imagem da aula teórica e depois desenhar um circulo no quadrado da base e projeta-lo ao longo do sólido para assim você obter um cilindro. Aplique essa técnica a tudo que não seja um paralelepípedo. É o que eu fiz com o toldo do desenho, observe a sequência desse passo para o próximo, agora eu desenhei um paralelepípedo e depois desenharei o toldo de forma semicilíndrica.  
Passo III - Traços principais:
Esse passo é simples, contorne seu desenho para dar forma a ele. Não o detalhe muito, mas deixe-o com um ar mais real.
Passo IV - Passando à limpo:
Apague as linhas guia do desenho e os pontos de fuga. Lembre-se: só faça isso quando você realmente tiver certeza de que não precisará mais deles para se guiar no desenho.
Passo V - Criando a textura e as sombras:
Agora é só imaginar, crie texturas e sombras que darão vida ao seu desenho. No meu caso, como é um cenário de ar sombrio, criei ranhuras nas paredes, sombreei bastante o ambiente e coloquei detalhes fundamentais para caracterizar meu desenho: como uma porta com luz acesa no hotel e papeis colados na vitrine da loja, além de escrever "hotel" nas plaquinhas. 
Passo VI - Detalhes finais:
E por último, para finalizar a esquina, fiz as janelas (notem os adesivos colados nelas), arrumei as sombras, as ranhuras dos prédios e coloquei mais detalhes como uma teia de aranha na placa do hotel, uma antena e os fios de energia do prédio. São detalhes que eu gosto de fazer, pois criam mais realidade para o desenho (deixando-o mais natural) afinal, no nosso mundo, existem detalhes para os quais nós nem notamos. É utilizando essa técnica que podemos observar mais profundidade ao desenho e consequentemente o tornando mais real.
 Assim, concluímos nossa quarta aula do curso, agradeço a todos que participaram e deixo a tarefa: tente recriar uma esquina de seu bairro ou uma praça de sua cidade, mãos a obra, qualquer dúvida basta perguntar aqui ou na aba duvidas do blog, caso queira postar seu trabalho aqui basta me pedir, terei a honra de mostrar seus desenhos nesse mundo. Agradeço mais uma vez e até a próxima aula alunos.

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